No âmbito da 2.ª Bienal do Plano Nacional das Artes, subordinada ao tema “E em vez do medo”, os alunos do 10.º ano de Artes Visuais do Agrupamento de escolas Gil Paes desenvolveram um projeto artístico que parte da reflexão sobre as suas próprias vivências no início do ensino secundário.
A entrada numa nova escola, num novo curso e numa nova área de estudo, bem como a construção de novas amizades, trouxe consigo desafios e sentimentos diversos, entre os quais algum receio ou insegurança. Foi a partir desta experiência pessoal que os alunos decidiram abordar a temática do medo através da realização de autorretratos, transformando a inquietação inicial numa oportunidade de expressão, partilha e construção coletiva.
Os trabalhos exploram duas dimensões expressivas distintas, tanto ao nível conceptual como técnico.
– O rosto a preto e branco, realizado em registo a grafite de várias durezas, procura transmitir sentimentos como inquietação, dúvida ou preocupação, explorando contrastes, luz e sombra como forma de reforçar a expressividade do desenho.
– O rosto a cor, desenvolvido através de técnica mista (caneta preta, aguarela e retoques de lápis de cor), pretende representar a alegria, a esperança e a superação, introduzindo uma dimensão mais vibrante e emocional.
A acompanhar os autorretratos, foi criada uma instalação sonora com as vozes dos alunos. Individualmente, cada um apresenta-se e partilha um pequeno slogan relacionado com o tema “E em vez do medo”. Quando as vozes se sobrepõem, formam o som coletivo da própria turma, reforçando a ideia de identidade, pertença e construção de um percurso comum.
Este trabalho assume também uma dimensão de cidadania participativa, ao promover a escuta, a partilha de experiências e a valorização das diferentes vozes dentro da comunidade escolar. Através da arte, os alunos refletem sobre as suas emoções, aprendem a expressá-las e a transformá-las em discurso visual e sonoro, contribuindo para um ambiente educativo mais consciente, empático e colaborativo.











